terça-feira, 22 de janeiro de 2013

UM NOVO COMEÇO



Ariovaldo e Gumercinda eram casados à cerca de quatro anos.
Recentemente Ariovaldo havia sido contatado por uma grande empresa, e quase tudo estava acertado para que ele começasse a trabalhar em no máximo dois meses. Seria uma grande mudança... Finalmente poderia mostrar o seu potencial em uma empresa de grande porte, e isso significaria também certa tranquilidade com relação aos seus filhos e o único “revés” seria ter que se mudar do estado do Rio de Janeiro para Minas Gerais... Revés??? Trocar a correria do Rio de Janeiro pela tranquilidade de uma cidade com cerca de 50 mil habitantes e status de patrimônio histórico... revés...
Ariovaldo e Gumercinda conversaram e concordaram que era sem sombra de dúvida a melhor escolha. Ela prontamente se empolgou e trocas algumas coisas, não queria levar coisas velhas para a “vida nova”. Começou uma ladainha contínua sobre troca de fogão, compra de sofá, troca de panelas... e para facilitar a vida Ariovaldo concordou, queria que a transição fosse o mais tranquila possível, afinal sua esposa ficaria longe da família e dos amigos.
Mudaram-se. Para surpresa de Ariovaldo, Gumercinda adorou a cidade, elogiava o tempo ... O clima, as pessoas, o apartamento. Ele fez questão de comprar tudo do melhor...

Praticamente adaptados, em um dia normal, enquanto o marido estava no trabalho, Gumercinda seguia sua rotina de cuidar da filha, que parecia estar ligada em 220 volts , e atualizar suas noticias no facebook. Quando a menina dormiu começou a fazer o jantar em suas novas panelas de aço inox com tampa de vidro, que ficou muito feliz quando o esposo concordou em comprar sem pestanejar, usando utensílios de madeira. Pôs a carne na panela e mexeu. Foi quando ouviu o sinal sonoro avisando que alguém a estava chamando no bate papo da rede social, foi dar uma rápida checada e viu que era uma amiga do Rio de Janeiro com tinha muita afinidade e então começou  um balé de seus dedos no teclado.
Não se sabe quanto tempo depois, foi arrancada de seu transe pelo som de trancas se abrindo. Ariovaldo estava chegando... Então sentiu um cheiro estranho e percebeu que havia esquecido o utensílio de madeira dentro da panela. O odor de madeira queimada empesteou o apartamento  Gumercinda estava pronta para xingar um sonoro palavrão quando o marido chegou na cozinha e disse:
                -Ô amor, entrou no clima mesmo hein! Levou esse lance de comida mineira a sério!?  Está até rolando um cheirinho de fogão à lenha!!!
Gumercinda abraçou o marido, lhe deu um beijo e caiu na gargalhada...  

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Decepção, trauma e desconfiança...


Júlio adorava mulheres de cabelo comprido. Visse uma mulher na balada rebolando e balançando as madeixas, já se imaginava nos “finalmentes” com a guria, um tanto quanto experiente, sabia que toda mulher que se preze gostava de uma puxada nos cabelos e ele gostava de puxar, em qualquer posição que estivesse dava sempre um jeito de dar um puxão e sabia fazer isso da forma certa, meio que “lia” as mulheres, sabia qual intensidade usar com cada uma.
Nesta noite fatídica, lá estava ele na boate, com seu copo de cerveja, usando sua visão panorâmica para eleger seu alvo da ocasião. Então ele a viu... Linda morena, pernas  torneadas, um salto alto que empinava ainda mais a sua bunda perfeitamente acentuada pelo corte do vestido e um decote que por pouco tapava os mamilos... E os cabelos, ah os cabelos compridos , quando ela estava de costas dançando sensualmente fora do ritmo da musica, seus cabelos faziam um movimento de pendulo em frente a sua bunda e quando estava de frente, jogava sua franja para o lado em um movimento harmonicamente perfeito... Júlio sentiu um “latejar” em sua “ferramenta”... Soube nesse exato momento que era ela, a eleita...
Começou então, o seu ritual de conquista, praticamente possuía uma cartilha para isso, com todos os passos para a conquista e cantadas que conhecia, e lá foi ele... Se aproximou, se insinuou e a “Deusa”, aceitou o flerte. Pelo restante da noite seguram os clichês sociais, e por incrível que pareça a “eleita” relutou o bastante, ao ponto de Júlio chegar a pensar que o investimento da noite não daria retorno.
Lançou a cartada final...
- Eu esperei a vida toda por alguém como você, e não lhe dou o direito de tentar me privar da experiência maravilhosa que é conseguir o que se quer. – Ele aguardou a resposta nervosamente...
- Eu e mais quantas?
Júlio sorriu...
- Isso depende de quantas filhas nós teremos...
A “eleita” segurou na mão de Júlio olhou diretamente nos olhos e disse:
- Na sua casa ou na minha?
 Ele não se lembrava de ter dirigido tão rápido assim antes na vida, o que importava na verdade, é, que em pouquíssimo tempo eles já estava se pegando no sofá da sala de estar de Júlio, e se encaminharam para o quarto em um ritmo alucinante de andar, beijar e tirar as roupas ao mesmo tempo. Ficaram nus, (o corpo sem as roupas era ainda mais divino), e começaram os trabalhos, ele tentando aproveitar cada milímetro daquele corpo escultural, mas ainda assim mirando na cabeleira, estava ficando frustrado, toda vez que ia pegar ela se virava ou fazia alguma coisa que tirava o foco do cabelo (e como ela sabia fazer!), mas então chegou a oportunidade perfeita, sem falar uma palavra ela se posicionou em quatro apoios, e empinada que ela deu, fez sua bela bunda se transformar em um monumento à paixão nacional, ele fez o que podia segurou em seus quadris, encaixando os polegares na “covinha” e mandou ver... Em dado momento, segurou o cabelo levemente com a mão direita e soltou a mão esquerda do quadril e quando estava quase lá deu um puxão com força...
Júlio até hoje não sabe o que aconteceu, e não sabe quanto tempo ficou desacordado. Ele lembra que acordou pelado no chão e com o cabelo da “eleita” na mão direita... Nunca mais ele quis saber de puxar cabelo...
De vez em quando ele reclama de uma carequinha bunduda que fica lhe encarando na balada...

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A FESTA


A combinação era perigosamente perfeita...

Bebida, mulher e funk...

Ambrósio e Edmundo estavam orgulhosos. Horas de planejamento haviam dado o resultado esperado, e a festa estava “bombando”.

As meninas estavam começando a se soltar, e a rapaziada estava feliz demais. Em pouco tempo, os quadris começaram a se mexer com mais intensidade  em meio aos palavrões e frases de duplo sentido que saíam dos amplificadores.

Ambrósio estava tão preocupado com a organização da festa, que não percebeu as meninas que o acompanhavam com o olhar todas as vezes que passava por elas. Foi então que Edmundo o puxou pelo braço...

- Ô irmão... puxa o freio...

- Pô cara, tu em vez de me ajudar, fica só curtindo...

- Ambrósio... O que nós tínhamos que fazer já foi feito, agora deixa que a festa anda sozinha... Agora para e olha aquela delícia de vestido branco que não tira os olhos de você...

E quando ele olhou, ficou impressionado. Descobriria depois que seu nome era Anna (e ela sempre enfatizava que era com dois n’s), e a simplicidade da sua beleza não tinha explicação. A pele morena clara, pernas grossas e seios perfeitamente proporcionais, contrastavam com a franjinha e as covinhas que se formavam quando ela sorria.

Ela baixou os olhos quando ele a encarou, e ele riu da tentativa de demonstrar inocência. Aproximou-se e começou a conversa com a frase mais clichê de todas.

- Oi princesa... Você mora por aqui?

Ela quase gargalhou...

- Não acredito que você demorou esse tempo todo para vir aqui e vem com uma conversa dessas. Estou quase perdendo o interesse...

“Essa é das minhas”

- Caramba garota, assim que eu gosto. Sem enrolação. Gostei de você.

Ela sorriu...

Então começou a conversa pra valer. E esse papo rendeu boas gargalhadas. Anna não perdia qualquer oportunidade que surgisse de fazer uma piadinha. E isso era um dos pontos (fora o corpo escultural) que levou Ambrósio a investir nessa guria.

O tempo foi passando, a bebida foi fazendo efeito e logo Ambrósio estava encostado na parede enquanto Anna esfregava o corpo freneticamente no ritmo da música.

Quando Ambrósio estava quase explodindo ela aproximou a boca carnuda e sussurrou em seu ouvido...

- Vamos sair daqui... Eu estou pegando fogo...

Então, em um momento de lucidez, ele lembrou que estava se camisinha. Recorreu ao amigo, que prontamente retirou uma do bolso e lhe entregou.

Desceram do terraço, e entraram no primeiro cômodo vago, e nem mesmo se deram ao trabalho de acender a luz. Já estavam no meio dos trabalhos quando ouviram um barulho, e ela insistiu para que ele acendesse a luz. Ambrósio se levantou e fez o que ela pediu. Quando se virou Anna começou a rir descontroladamente.

- Que foi garota?

- Que porra é essa? Disse em meio as gargalhadas apontando para a genitália de Ambrósio.

Quando olhou para baixo, viu que a camisinha que o amigo lhe deu era azul. Ele admitiu que  realmente era uma cena engraçada. Ele nu com aquela coisa azul entre as pernas.

Se aproximou de Anna, agarrou em seus cabelos e disparou...

- Que foi garota? Nunca viu o pinto do avatar?????



sábado, 17 de setembro de 2011

A Vírgula

Mais um dia cansativo...
Estavam na via Dutra e o transito estava tranqüilo. Gumercindo estava dirigindo e Godofredo alternava entre cochilos e comentários sobre coisas que não tinham sentido...
    - Eu freqüentava uma termas aqui perto...
    - Onde?
    - Eu lembro que tinha que pegar a próxima saída...
Gumercindo não pensou duas vezes. Armou a seta e pegou a saída. Godofredo despertou quase que imediatamente e começou a dar as coordenadas.
    - A próxima à direita... (risos...) Esse lugar ficou conhecido como “a termas da vírgula”...
    - Ué... Por quê?
    - Por que houve uma época em que “a casa” era gerenciada por um travesti.
    - Putz!!! E ainda é?
    - Não... À esquerda...
    - Caramba, um tempão que eu não dou uma saída!
    - He He relaxa... É ali...
Entraram e foram muito bem recebidos, aquele clima de penumbra, vários odores misturados, e para surpresa de Gumercindo, muitas mulheres bonitas... Sentaram e uma das meninas foi logo sentando no colo de Godofredo...
    - Oi neeeem... quanto tempoooo...
     - É... Trabalhando muito
     - Você arrumou outra por aí né!?
     - Que nada meu amor... o meu coração é seu...
Gumercindo controlava o riso, Godofredo era clichê demais, e o pior é que funcionava. Estava observando os trejeitos de Godofredo, para saber como agir, quando foi abordado por uma das “menininhas de utilidade pública”...
    - Oi amor. Tudo bem?
    - Tudo e você? (ele baixou o tom de voz, tentando ser o mais sedutor possível)
    - Minha colega quer te “conhecer”... Ela disse que você é o número dela. Ela pode vir aqui?  
    - Claro...
A menina saiu em direção a uma mesa e Gumercindo acompanhou o trajeto com o olhar, e observou que a “colega” que queria “conhecê-lo” era bonita. Ela levantou e caminhou em sua direção... Salto alto, saia curtíssima e top (uniforme!!!), cabelo preto bem curto, do jeito que ele gostava. Pensou em se levantar para causar impacto, já que era bem alto, e ninguém imagina a surpresa de Gumercindo quando percebeu, ao levantar para cumprimentá-la que eles eram do mesmo tamanho..
     - Oi gato, meu nome é Zuleika, com “k”...
A voz rouca era deliciosa, mas assustadora ao mesmo tempo. Assim que percebera que eles possuíam a mesma altura, Gumercindo não conseguia parar de pensar na estória de Godofredo sobre a “vírgula”, e apesar de ser bem experiente, aquele lugar de som alto e penumbra dificultava, e muito, observar “detalhes”...
    - Oi... (tenso... o perfume era maravilhoso...) - Senta aí...

A partir daí estavam os dois amigos com as duas meninas entre eles, conversando e bebendo cerveja e energético, sempre que Zuleika virava para falar com o casal, ele tentava observar alguma coisa. Ela segurou em sua mão... Eram do mesmo tamanho a tensão de Gumercindo crescia a cada momento. Em uma passagem do canhão de luz, examinou os pés (ele gostava de pés bonitos), e eles eram grandes demais para uma mulher...
“Ai caramba, a vírgula!”
Já era alta madrugada, e ele explicou a Zuleika que não gostava de fazer programas, costumava ir ali só pra relaxar, e que se ela quisesse poderia ir procurar clientes sem problema algum...                     

    - Não gato... Estou muito bem aqui com você. Me diz... Você trabalha em quê?
Gumercindo começou a explicar o que fazia (“a vírgula!” não saía da cabeça), que era casado (“a vírgula” martelando...), e que já conhecia Godofredo quase a vida toda. Enquanto falava, pensou em todas as mulheres bonitas com quem havia ficado, e temia a potencial cilada que estava ali frente a ele acariciando suas coxas... 
    - Poxa gato que legal... mas deixa eu te perguntar... você já viu uma perseguida raspadinha?
Ele suspirou aliviado...
    - NÃO... NUNCA VI... POR FAVOR ME MOSTRA A SUA...


sábado, 10 de setembro de 2011

A saga de São Mateus 1


O ano era 1994...

Luciano e Érison haviam se conhecido em um curso profissionalizante, e a amizade foi selada quando descobriram o amor mútuo pelo rock n’ roll. Em uma época em que todos só queriam saber de “batidões” e “danças da bundinha”, se considerava um verdadeiro milagre dois jovens na casa dos dezessete anos gostarem de ouvir bandas de heavy metal da década de 80.

Por sorte, Érison morava em um bairro onde já havia um grupo de amigos que se reuniam em busca de “points” para “curtir som”, e ao ouvir o novo amigo dizer que só “curtia” em casa tratou de convidá-lo para ir a um clube que se dedicava a satisfazer os desejos dessa tribo que aparentava estar quase extinta. Nada no mundo poderia explicar a expressão de satisfação que se instalou na face de Luciano ao entrar no clube. As novas Amizades, Cliver, Eduardo Marcelo, Daniel, Tricolor, Diogo, Flávio e Roy e o ambiente totalmente novo, causaram uma enchente de emoções, e assim ele sentiu que não estava mais sozinho. Era um mundo novo, e cada coisa que acontecia era detalhadamente narrada para seus pais com tanta alegria que eles chegavam a esperar acordados por ele para ouvir as estórias.  E assim começou a “Saga de São Mateus”...

Deste dia em diante os fins de semana de Luciano eram dedicados aos novos amigos. Pode assim conhecer bandas novas, aprendeu a tocar violão, e conheceu também dois artistas que seriam fonte de inspiração futura (mas isso é outra estória!), começou a escrever o que um dos amigos classificou como “textos poéticos”, e diziam que ele era bom nisso. Mas isso também é outra estória...

Então vieram as festas. Sempre realizadas na casa do Flávio com muito rock ‘n roll, muita bebida, e pouquíssimas meninas. Como em qualquer outra festa (ele descobriria isso depois), havia sempre alguém exagerando. A festa rolou, e se formou então uma roda de discussão sobre rock. As coisas de sempre, quem era o melhor baixista, qual seria a formação da banda perfeita e etc.

A certa altura da madruga Eduardo levantou a questão:

- Galera... cadê o Roy? (um dos que sempre ficava chapado)

-Pô Dudu. ele disse que ia tirar a água do joelho...

-Caramba Daniel, mas já tem um tempão.


E então partiu Dudu em busca do companheiro perdido (kkk)! Atrás da casa onde eram feitas as festas havia um terreno baldio com um corrimão velho, que os homens usavam para urinar, pois assim o banheiro da casa ficava liberado para as mulheres, chegando lá Eduardo se deparou com uma cena que o paralisou... Roy estava desacordado debruçado no corrimão e com a bermuda arriada até os tornozelos... Dudu desatou a correr de volta pra festa, chegou no meio do salão, colocou as mão na cabeça e gritou com toda força que podia:

- Galeraaa Fuuuuuudeuuuuu Comeram o Roy....



Homenagem humilde à tribo de Saõ Mateus e aos inspiradores artisticos José Cleverlandes e Eduardo "Pará" Gomes".
Muito obrigado!
 Muita nostalgia...


sábado, 13 de agosto de 2011

MATURIDADE

Jonas se julgava uma pessoa afortunada, sempre dizia que não sabia “cantar” uma mulher, porém nunca ficara solteiro por muito tempo. O rapaz tinha plena consciência de que possuía atributos físicos notáveis e um conhecimento cultural que lhe dava a capacidade de conversar e dar boas opiniões sobre qualquer assunto, porém o chamado “desenrolo” era completamente desconhecido por ele, o máximo que fazia era dar uma indireta de vez em quando e costumava dizer que só conseguia namoradas se elas quisessem muito ficar com ele...

Quando era adolescente, sua primeira namoradinha (que era 5 anos mais velha que ele), lhe confessou que ficara hipnotizada pela boca de Jonas, e que quando provara do seu beijo, mesmo sabendo que namoros da adolescência raramente dão certo,  teve certeza de que nunca mais iria provar um beijo tão delicioso. Foi nesse momento que Jonas teve um estalo, essa seria sua arma, se obtivesse a oportunidade de beijar a garota seria sua... O tempo foi passando e Jonas adquiriu conhecimento, perdeu um pouco da sua timidez e se tornou um homem intrigante, quando se interessava por uma mulher, falava sobre todo o tipo de assunto sem se insinuar e então quando elas menos esperavam ele disparava:
 - Se você me der ao menos um beijo toda a noite terá valido a pena...
E elas pensavam:
 - Por que não!?
E assim inúmeras mulheres perderam a razão diante do “poder” do seu beijo e claro isso lhe rendeu muito mais que troca de saliva, mas ele buscava sossego e queria encontrar uma mulher que não se prendesse nas futilidades que as meninas adotaram como modo de vida hoje em dia...
Então estava ele nesse novo emprego, quando percebeu uma colega de trabalho que lhe interessou... No começo eles almoçavam na mesma mesa por ter colegas em comum, porém não se falavam. Ele a ouvia dissertar desinibidamente sobre assuntos de relacionamento, e percebeu que muitas das opiniões que ela dava eram compatíveis com a sua.
Um dia desses a conversa era sobre culinária e adivinhem só, a especialidade de Jonas eram as sobremesas e ao ouvir a colega dizer que tinha um fraco por doces começou a falar  sobre um doce que sabia fazer e percebeu que ela se mostrava completamente hipnotizada pela dissertação. Quando terminou, ela não se conteve e disse:
 - Nooooossa... isso deve ficar uma delicia...
Ele se levantou e saindo disse:
 - Imagina então espalhado no corpo...
E antes de passar pela porta do refeitório percebeu que a garota que tinha resposta para tudo ficou ruborizada... Foi o suficiente para marcarem um encontro, foram para uma danceteria e antes de entrar conversaram muito sobre vários assuntos. A música deixava o clima quente e dessa vez ele não pediu, avançou e a beijou com vontade, com gosto “essa pode ser a mulher com quem vou ficar de vez” pensava ele “inteligente, centrada, madura, bonita... o que mais posso querer!?”
Saíram dali direto para o Motel mais próximo e foi a melhor transa da qual conseguia se lembrar, foram quase três horas ininterruptas de pegação. E quando terminaram ele se pôs a admirar aquele corpo escultural... Delineava o corpo com olhos e pensava em como seria bom ter um relacionamento maduro...
Então ela falou:
 - Mô... Posso te pedir uma coisa?
Ele sentiu o peito apertar...
 - Pode...
 - Coloca namorando no Orkut?

  

segunda-feira, 25 de julho de 2011

O TROCO

Eduardo era um rapaz pacato. Era do tipo que ajuda a todos sem pedir absolutamente nada em troca, e por isso, muitas vezes as pessoas tentavam tirar vantagem dele, mas raramente conseguiam. Bondade continuamente era confundida com ingenuidade, e de longe, esse não era o caso de Eduardo.
Além de muito sagaz, Dudu (como era chamado pela família) possuía o hábito de ir à academia para “malhar” e praticar artes marciais, e nesse dia quando recebeu o convite para uma festa na casa de alguns parentes um tanto quanto distantes, vislumbrou a possibilidade de colocar em pratos limpos uma velha rixa iniciada na infância. Sabe aquele primo encapetado que todo mundo tem? Pois é, Dudu também possuía esse algoz na família, e agora já adulto preparava o seu psicológico para um possível reencontro.
“Agora é a hora do troco, na primeira gracinha que ele disser eu arrebento os dentes dele” pensava.
Eduardo não nutria ódio pelo primo, muito pelo contrário, mas tudo que podia se lembrar no caminho para a festa era do primo quase duas vezes maior o humilhando na frente das maravilhosas priminhas, uma mais linda do que a outra (tenho certeza que todo mundo tem também!).
Agora lá estava ele entrando no quintal da casa da tia Jussara, a avistou suas priminhas, todas juntas conversando sobre assuntos diversos. Todas o observaram com um misto de surpresa e admiração, ele então teve a certeza de que todo o tempo gasto no intuito de definir o corpo havia valido à pena...  Por sua família possuir raízes nordestinas, o forró sempre rolava solto nas reuniões de família, e uma coisa que quase ninguém sabia era que Dudu sabia “rabiscar o salão” muito bem. E foi o que fez, nas duas primeiras horas, só o que fez foi dançar com todas as suas primas, e também algumas tias, aproveitando para soltar alguma graçinha no ouvido alheio quando percebia possibilidade, e lá, do meio de sua descontração ouviu alguém dizer:
- olha gente o Rafinha veio!!!
Ao ouvir o apelido de seu rival, todo o plano traçado meticulosamente voltou à mente. Continuou com as costas voltadas para o portão e ao sentir a aproximação do individuo inflou o peitoral.
- Não acredito... Disse Rafinha.
Dudu se virou e se deparou com um homem de 1,80cm de calça justa e camisa “mamãe tô forte” rosa.
-Primoooooo... Você está um arrasooooooooooo
Rafinha sacou um telefone rosa cheio de pedrinhas brilhantes do bolso e disparou gesticulando mais que mulher barraqueira:
- Me passa seu telefone primo, quem sabe a gente se encontra por aí pra “tomar” alguma coisa, hein amorrrrrrrrrrr...