Mais um dia cansativo...
Estavam na via Dutra e o transito estava tranqüilo.
Gumercindo estava dirigindo e Godofredo alternava entre cochilos e comentários
sobre coisas que não tinham sentido...
- Eu
freqüentava uma termas aqui perto...
- Onde?
- Eu lembro
que tinha que pegar a próxima saída...
Gumercindo não pensou duas vezes. Armou a seta e pegou a
saída. Godofredo despertou quase que imediatamente e começou a dar as
coordenadas.
- A
próxima à direita... (risos...) Esse lugar ficou conhecido como “a termas da
vírgula”...
- Ué...
Por quê?
- Por
que houve uma época em que “a casa” era gerenciada por um travesti.
-
Putz!!! E ainda é?
-
Não... À esquerda...
-
Caramba, um tempão que eu não dou uma saída!
- He He
relaxa... É ali...
Entraram e foram muito bem recebidos, aquele clima de
penumbra, vários odores misturados, e para surpresa de Gumercindo, muitas
mulheres bonitas... Sentaram e uma das meninas foi logo sentando no colo de
Godofredo...
- Oi
neeeem... quanto tempoooo...
- É...
Trabalhando muito
- Você
arrumou outra por aí né!?
- Que
nada meu amor... o meu coração é seu...
Gumercindo controlava o riso, Godofredo era clichê demais, e
o pior é que funcionava. Estava observando os trejeitos de Godofredo, para
saber como agir, quando foi abordado por uma das “menininhas de utilidade
pública”...
- Oi
amor. Tudo bem?
- Tudo
e você? (ele baixou o tom de voz, tentando ser o mais sedutor possível)
- Minha
colega quer te “conhecer”... Ela disse que você é o número dela. Ela pode vir
aqui?
- Claro...
A menina saiu em direção a uma mesa e Gumercindo acompanhou
o trajeto com o olhar, e observou que a “colega” que queria “conhecê-lo” era
bonita. Ela levantou e caminhou em sua direção... Salto alto, saia curtíssima e
top (uniforme!!!), cabelo preto bem curto, do jeito que ele gostava. Pensou em
se levantar para causar impacto, já que era bem alto, e ninguém imagina a
surpresa de Gumercindo quando percebeu, ao levantar para cumprimentá-la que
eles eram do mesmo tamanho..
- Oi
gato, meu nome é Zuleika, com “k”...
A voz rouca era deliciosa, mas assustadora ao mesmo tempo. Assim
que percebera que eles possuíam a mesma altura, Gumercindo não conseguia parar
de pensar na estória de Godofredo sobre a “vírgula”, e apesar de ser bem
experiente, aquele lugar de som alto e penumbra dificultava, e muito, observar
“detalhes”...
- Oi...
(tenso... o perfume era maravilhoso...) - Senta aí...
A partir daí estavam os dois amigos com as duas meninas
entre eles, conversando e bebendo cerveja e energético, sempre que Zuleika
virava para falar com o casal, ele tentava observar alguma coisa. Ela segurou
em sua mão... Eram do mesmo tamanho a tensão de Gumercindo crescia a cada
momento. Em uma passagem do canhão de luz, examinou os pés (ele gostava de pés
bonitos), e eles eram grandes demais para uma mulher...
“Ai caramba, a vírgula!”
Já era alta madrugada, e ele explicou a Zuleika que não
gostava de fazer programas, costumava ir ali só pra relaxar, e que se ela
quisesse poderia ir procurar clientes sem problema algum...
- Não
gato... Estou muito bem aqui com você. Me diz... Você trabalha em quê?
Gumercindo começou a explicar o que fazia (“a vírgula!” não
saía da cabeça), que era casado (“a vírgula” martelando...), e que já conhecia
Godofredo quase a vida toda. Enquanto falava, pensou em todas as mulheres
bonitas com quem havia ficado, e temia a potencial cilada que estava ali frente
a ele acariciando suas coxas...
- Poxa
gato que legal... mas deixa eu te perguntar... você já viu uma perseguida raspadinha?
Ele suspirou aliviado...
-
NÃO... NUNCA VI... POR FAVOR ME MOSTRA A SUA...